segunda-feira, 19 de abril de 2010

Meu cigarro


Ligo o carro, mais uma noite a deriva do acaso. A velocidade me impede de distinguir pessoas de postes, mas sei que devo ficar longe dos dois.
Acendo um cigarro, dou duas tragadas e atiro ele pela janela, a fumaça já não faz nada alem de me sufocar. Um grito de pânico ecoa lá de fora. Meu carro não trepida, então a culpada não sou eu. Acelero.
Rádio ligado, essa música entra pelos meus ouvidos como morfina e já não sei se meus olhos estão abertos ou se o que vejo são distúrbios provocados pelo álcool.
Ouço estalos, não vejo mais nada e sinto uma pressão desconfortável sobre meu corpo todo. Estou em transe, meu corpo não obedece nem mesmo aos sinais mais primitivos.
Pareço ficar nesse estado por dias, como se dormisse no fundo do mar e aos poucos a própria correnteza me obrigasse a levantar. Abro os olhos e vejo o céu disforme. Meu carro esta deitado ao meu lado, penso ser difícil virar ele para poder ir para casa. O rádio ainda está ligado, demoro para distinguir o que está soando. Estou incapaz de me mover. Fecho os olhos e relaxo... No rádio: Continua a busca pelo culpado da morte de um morador de rua. O suspeito ateou fogo de dentro de um veiculo e fugiu em alta velocidade...

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